O mistério das bolas de gude | Resenha

O que negros, prostitutas, surfistas, drogados e cegos tem em comum? Invisibilidade. Se tornam pessoas que não vemos. Não nos importamos.

Mas o nosso medo delas nos faz ter um pequeno deslumbre de quem são. Quando uma mulher drogada tenta o suicídio, achamos normal porque ela é drogada, e é tudo consequência da droga. Mas se uma pessoa dita normal, cometer o suicídio será um escândalo e ficamos sem saber o motivo. Quem merece mais compaixão e misericórida?

Se uma pessoa adentra o mundo da prostituição são discriminadas, são tratadas do mesmo jeito que um assassino. Se forem crianças, sentimos comoção, mas é vã e de nada serve. Achamos que o mundo é um tribunal e nós juízes, mas não há ninguém para nos julgar. 
A sexualidade foi banalizada e o sexo tornou-se costumeiro, mas temos medo de lutar contra algumas práticas bizarras e tabus. Não que o tabu não deva ser quebrado, mas a custa da felicidade de outras pessoas é vergonhoso. É isso que acontece com leilões de virgindade, onde a maiorias das moças são vítimas de carrascos, cafetões e pessoas que agiram de má fé.
Dedicar um capítulo a uma árvore parece chato e não atraente, mas foi uma delícia apreciar quantas histórias podem ser conectadas numa árvore que leva nas suas sombras memórias e vivencias de anos, que conheceu pessoas, que amou pessoas, que foi tatuada com nomes de amantes.
O preconceito com pessoas do “gueto” que são rotuladas como sem culturas e sem esperança num futuro. O livro conta histórias de pessoas que lutaram contra esse rótulo e depois de muita luta, mostraram ao mundo que o “gueto” marginalizado é o preconceito deles. 

Sobre esses e outros assuntos que Gilberto Dimenstein destemidamente mostra, a face oculta e dissimulada da sociedade que finge status e comoção.

 Gilberto Dimenstein é um escritor e jornalista brasileiro. É o criador do portal Catraca Livre, e foi comentarista da Rádio CBN. Após 21 anos atuando na CBN, o jornalista Gilberto Dimenstein se despediu nesta segunda-feira, 13, da rádio e das colunas ‘Mais São Paulo’ e ‘Capital Humano’ que ele comandava no dial. De acordo com o profissional, ele deixa a emissora para assumir “um novo grande projeto” que envolve produção em vídeo. Foi também colunista da Folha de S.Paulo por 28 anos.

Tipo: seminovo/usado

Editora: Papirus

Ano: 2010

Estante: Sociologia

Peso: 400g

ISBN: 8530807960

Idioma: Português

Cadastrado em: 12 de abril de 2016

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