Resenha: Wayne de Gotham

A primeira vista, ler um livro de super-heroi provoca um problema: esse tipo de narrativa, na maioria das vezes, são própria do universo dos quadrinhos, contadas a partir da combinação de texto e desenho, o que facilita não só a leitura, como também a compreensão e visualização da história. Esse é um dos problemas na leitura de Wayne de Gotham, escrito por Tracy Hickman.

Nas primeiras páginas do livro, logo se percebe o problema. É difícil ler e até mesmo imaginar as primeiras cenas de luta. Apesar de um prelúdio bem escrito, o problema só não persiste pois a história consegue ser envolvente, a ponto de conseguir mascarar a dificuldade de se visualizar as cenas.

Wayne de Gotham não é uma narrativa sobre Batman, mas sim sobre a família Wayne. A história se trata de uma investigação do Homem-Morcego sobre o passado dos pais, a partir de uma estranha ligação entre um convite feito pelo vilão Scarface. Os capítulos são alternados entre o momento “presente”, em que o Defensor de Gotham ou Bruce Wayne tenta desvelar a real história do pai, e o “passado”, no qual Thomas Wayne revela que não é necessariamente a fonte de caráter e justiça que Bruce tanto imaginou. O desenrolar da trama leva o leitor a descobrir que o assassinato dos pais do Batman teve motivos muito maiores do que um simples latrocínio.

A curiosidade de descobrir o passado de Thomas Wayne, antes mesmo dele namorar Martha, é intrigante e tem uma força capaz de prender, e muito, a atenção do leitor. O fato dos capítulos serem alternados colabora para isso, pois dá muita vontade de pular os capítulos em Batman está lutando com o Coringa por motivos aparentemente estranhos (em lutas que, como já explicado, são difíceis de se imaginar).

Outro trunfo de “Wayne de Gotham” é a semelhança com o game da consagrada série Arkham – Asylum (2009), City (2011), Origins (2013) e Knight (2015). O estilo de narrativa, na qual Batman precisa descobrir os verdadeiros motivos que provocam uma determinada onda de crimes em Gotham, parece muito com o livro. Na realidade, a ideia é praticamente a mesma. No entanto, a diferença é que a investigação deste crime leva Bruce Wayne a descobrir verdades inesperadas e desagradáveis sobre os pais.

Para o leitor, é bastante legal descobrir o outro lado da família Wayne. Nos filmes e quadrinhos, a impressão que se tem sobre eles é de uma família bem ajustada e bem embasada na moral e nos bons costumes. Isso, na realidade é um dos principais alicerces do Homem-Morcego. O exemplo de caráter do pai é que o leva a combater o crime em Gotham City. No entanto, no livro de Hickman, conhecemos os jovens Wayne. Enquanto Thomas é um riquinho inseguro, cheio de problemas com os pais e que mal consegue verbalizar os sentimentos, Martha tinha uma vida noturna agitada e andava com sujeitos da pior espécie de Gotham – alguns deles viraram chefes das principais quadrilhas nos tempos de Batman e é justamente um antigo namorado dela que desencadeou os fatos do livro.

Tirando o problema da plataforma, Wayne of Gotham é um livro que tem uma história envolvente, sem ser maçante, e com um ritmo bastante cadenciado – o que desperta no livro a curiosidade para saber o fim da trama. Não é a maestria da literatura, mas vale a pena, nem que seja para se divertir um pouco. Vale também para se aprofundar na “mitologia morceganiana” e despertar o interesse para ler mais sobre o universo do Justiceiro de Gotham. Mas para isso, existem filmes e quadrinhos de sobra.

 

Livro: Wayne de Gotham
Autor: Tracy Hickman
Editora: Casa da Palavra
Gênero: Literatura Estrangeira – Ficção – Super-Herois
Ano: 2013
Nº de páginas: 272

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